Uma
crônica Real, aqueles que acreditam:
A noite na rua é sempre
fria..
Pode estar verão, calor, A madrugada
na rua.. é sempre fria
É frio esperar, é fria a
expectativa, é frio o tic TAC do relógio, insistindo
em permanecer no mesmo lugar, durante
horas...
Ela o abordou, não usava mais que uma
saia que privava seus movimentos, um esboço de blusa, e uma
bota pontiaguda, naquele momento ela invadiu sua vida, não
como sempre, mas pra sempre...
Ela lhe contou, assim logo de cara sobre sua
vida, alguns de seus medos e até de seus temores, era tarde
quando estava arrependida de ter dito, demorou um bocado pra notar
que estava falando sobre isso.
Talvez por que ele a ouviu, sem censura, sem
perguntas banais, sem respostas clichês, ele não a
consolou, não teve dó, não tentou
ajudá-la, era isso que precisa, apenas
isso...
Continuou a sentir seu cheiro na sua roupa,
na sua pele, era o suficiente naquele momento, pois era tudo que
tinha.
Fez o que não costuma fazer, e pediu
baixinho aos seus demônios que ele voltasse, não pelo
dinheiro... infelizmente, não pelo
dinheiro...
Ele a beijava, mesmo ela exalando a rua
augusta, ele a abraça, e protegia do que ela pensou nunca
precisar de
proteção.
Ele a viu, sem mascara, sem personagem, na
sua rotina habitual, ela o reconheceu, pelas mãos, pelo
cheiro, e pela suave mordida em seu lábio, ainda marcado
pela noite anterior.
Ela criou uma historia pra ela, fingiu ter o
conhecido num outro lugar, numa outra ocasião, era mais
fácil pensar assim...
E em muito tempo, ela não se sentiu
apenas um pedaço de carne, descobriu que ainda
possuía outras partes do seu corpo, que por falta de uso,
pensou não mais existir, seus ouvidos, seu cérebro e
suas idéias permanentes, escapando pela
boca.
Voltou a sonhar, acreditar nas pessoas, e
seus interesses alem de sexo e
dinheiro.
As noites ainda eram frias, o relógio
continuava teimoso, e mesmo contra sua vontade, torcia pra que ele
viesse, e a tirasse dali... Do frio, da penúria, daquela
realidade...
Sentiu-se a pessoa mais egoísta do
mundo... Mas que bobagem, ela não conhecia todas as pessoas
do mundo...
E os pensamentos eram tão insistentes,
que em pouco a dominou, a ponto de tomar banho e não se
saber se tinha lavado os cabelos, tamanha
distração... As vezes lavava duas e ou três
vezes.. só percebeu mesmo, quando o xampu lhe durou menos de
uma semana...
A historia não teve final feliz,
afinal não teve um final, por um momento ela pensou nem ter
historia, ela queria estar num boteco, falando besteira, até
que saísse algo reflexivo de
lá...
Mas estava em casa, tomando café,
procurando um final de algo que não terminou, ela apenas se
lembrou daquela noite fria, não sabia qual noite era.. Todas
as outras eram também
frias...
Ana Sousa (intermidiaria da carta)
Beijoin Grande a todos
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